Primeiro UltraTalks de 2024 discute o Open Finance no Brasil da teoria à prática

por | 5 de fevereiro de 2024 | UltraTalks | 0 Comentários

Painel reúne Caique Mello e Albert Morales: especialistas apontam aspectos favoráveis e tendências para este ano que começa

O Open Finance chegou para transformar a relação entre instituições financeiras e clientes, com acesso a um volume inédito de informações. Na prática, as empresas que atuam no setor financeiro conseguem entender melhor o comportamento dos consumidores e oferecer produtos e serviços mais personalizados.

Todo esse processo de compartilhamento também permite ao cliente ter mais autonomia e acessar informações que antes eram totalmente restritas aos grandes bancos. O cliente dá consentimento para o compartilhamento de suas informações, que deverão ser usadas pela instituição somente para a finalidade específica na qual foi autorizada e dentro de um período escolhido, não podendo qualquer instituição fazer o uso das informações para outra finalidade.

Como o mercado está reagindo ao Open Finance? Os clientes, na outra ponta, já entendem o funcionamento e estão aproveitando as novidades? E o varejo, se adaptou e absorveu as mudanças?

Neste panorama de muitas perguntas e transformação, nada mais propício que iniciar o ano com um Painel UltraTalks sobre o tema e inaugurar, ainda, um novo formato de apresentação, com gravação em estúdio. O tema inaugural de 2024 foi “Open Finance – Quando esse avião decola? Vai voar para onde?”, com dois convidados muito especiais: Albert Morales, General Manager da Belvo, e Caique Mello, CEO, Board Member e Consultant. A mediação foi de Eduardo Pires, com Linconl Rocha, um dos sócios UltraTalks, participando da mesa.

Início do Open Finance

Um dos temas do encontro foi sobre o panorama atual de implementação do Open Finance. Estamos realmente no caminho? O projeto avança rápido ou devagar? Quem deu excelente resposta sobre o assunto foi Albert, que é natural da Espanha e participou de diversos e importantes projetos fora do país.

“O brasileiro tem síndrome de vira lata, sempre acham que está tudo lento. O escopo do Open Finance no Brasil, seja na parte de dados ou pagamento, é o mais avançado do mundo. Talvez só a Índia esteja concorrendo, na parte de pagamentos. Mas o Brasil está anos-luz na frente dos demais. O Brasil realmente se preparou muito bem. Seu sistema financeiro, todo mundo reconhece, é um dos mais avançados do mundo. (…) Agora nos próximos anos é recolher os frutos. O Banco Central já está recolhendo, outros países querem vir aqui e ver o que estamos fazendo. Agora precisamos alavancar tudo isso. O crédito é a chave”, definiu Albert.

“O Open Finance, seu conceito, é abertura do banco, não precisa estar sem estar no canal bancário. A eleição de onde você bancariza é do usuário. Tem dois grandes blocos atuando: um grande bloco é o dados, capacidade de levar seu histórico bancário para onde você quiser. O outro grande bloco é de pagamento, você conseguir fazer um pagamento do seu banco através de outro canal”, exemplifica Albert.

Varejo

Edu Pires perguntou aos participantes sobre o varejo, local onde tudo na prática acontece. “Tudo que a gente discute acaba no checkout. Vocês veem as coisas com essa simplicidade? Alguma coisa assusta na perspectiva do varejo?”, colocou em discussão:

“Qualquer coisa que afete a produtividade na linha de checkout é crítica. A gente precisa cada vez mais ter essas soluções mais empacotadas e tangibilizadas para o consumidor final. O custo do crédito no Brasil é absurdamente alto, ninguém tem dúvida disto. Então acho que o Open Finance vem para ajudar muito, mas vejo dificuldades de se tangibilizar na ponta. Se você trouxer o varejo como sócio para esse movimento, o varejo compra! No final das contas, o que eles querem é viabilizar a venda e trazer uma comodidade maior para o cliente. Ainda precisa evoluir”, avaliou Caique.

Ainda sobre o tema do varejo, Linconl tocou em ponto-chave e devolveu a bola para a mesa: “Como vocês acham que as lideranças do varejo deveriam se juntar e tornar o varejo mais sócio e conseguir trazer essa tração, como tornar esses belos conceitos em realidade?”

Caique respondeu com propriedade a questão. “O varejo quer viabilizar a venda, o varejo quer vender. Ele não está preocupado com o pagar. Por isso é importante não falar em ´pague em tantas vezes´, mas sim falar `compre em tantas vezes´. É uma relação ganha-ganha. Precisa tangibilizar e mostrar como isso efetivamente vai funcionar.”

Melhor gerenciamento

Com o controle mais eficiente e preciso dos dados financeiros, o Open Finance pode ajudar os usuários a gerenciar melhor suas finanças e a tomar decisões financeiras mais adequadas. Outro ponto favorável, discutido no UltraTalks, é que todo esse movimento pode levar a uma melhor saúde financeira no Brasil, com redução de dívidas e gastos desnecessários, e até na redução das taxas de juros – além de proporcionar maior atenção aos investimentos.

“O crediário existe por causa do varejo. O Open Finance surge para ter um setor de crédito mais saudável. E do lado da indústria financeira, ser mais eficiente com a alocação de capital. Como falei antes (do início do Painel), ´sky is the limit´. Educação financeira é a chave. Cada vez mais as pessoas estão com finanças espalhadas entre diferentes players”, explicou Albert.

“Se olharmos os números oficiais do Open Finance, temos mais de 45 milhões de consentimentos únicos, CPFs, uma parcela da população já teve contato. O compartilhamento está sendo feito por instituições financeiras. É um indicador que o usuário viu valor no que a instituição forneceu, mas por outro lado é algo muito novo, vai ter espaço para novos players”, avalia Caique.

Empreender tem idade?

Um momento importante, de uma conversa rica em simbolismos e experiências de vida, aconteceu no bloco final. Linconl recebeu uma pergunta de um participante do UltraTalks, que perguntou: “O que dizer para alguém que, como eu, está empreendendo aos 66 anos?”

“Empreendedores não têm idade, não tem classe social. Com certeza, uma pessoa vai pegar outras perspectivas da vida. Empreender tem que ser em algo que você conheça. O conhecimento adquirido na vida é muito relevante na atividade de empreender”, disse Caique.

E fica o recado final, dado pelo Linconl: “Aos 66 anos é hora de começar. Essa idade é que você se encontra inteiro, com força e capacidade. É nessa idade que você tem que fazer. Não pare!”

Sobre a UltraTalks

A UltraTalks promove eventos online e gratuitos que abordam diversos temas relacionados ao mercado de pagamentos e outros assuntos corporativos. A empresa tem como objetivo facilitar o acesso a profissionais de renome e a conhecimento especializado.

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