Lideranças femininas em Fintechs: Painel UltraTalks com Pethra Ferraz e Adriana Camargo discute a diversidade e o papel feminino na melhoria das relações corporativas

por | 24 de novembro de 2023 | UltraTalks | 0 Comentários

Nos últimos anos, o setor de Fintechs viu surgir um movimento crescente em direção à inclusão e à diversidade de gênero. Algo inimaginável poucos anos atrás, quando o mercado como um todo era dominado pela presença masculina em cargos de liderança. Crenças empresariais arcaicas e enraizadas, tão comuns na maioria dos setores da economia, estão sendo aos poucos modificadas, embora ainda haja um caminho longo a ser trilhado.

Neste cenário de mudanças e adaptações, a UltraTalks realizou, em colaboração com a Women Leaders in Fintechs, o painel “Lideranças Femininas em Fintechs”, com a presença de duas profissionais líderes e com forte presença no mercado, casos de Pethra Vargas Ferraz, VP de Marketing Latam no Mercado Pago, e Adriana Camargo, Public Policy na Belvo e cofundadora da WLF.

A mediação do encontro foi de Eduardo Pires, que iniciou o bate-papo instigando se uma maior presença de mulheres em cargos de liderança traz um olhar mais generoso às corporações. Afinal, o universo feminino vai impactar nos atributos inerentes à liderança?

Tanto Adriana como Pethra concordam que, ao assumirem posições de liderança, as mulheres trazem consigo habilidades de gestão e comunicação diferenciadas, com um acréscimo de empatia e colaboração que podem melhorar a cultura de uma organização, promovendo um clima de trabalho mais saudável e produtivo.

Ou seja, a diversidade no ambiente corporativo torna-se fundamental para uma tomada de decisão mais ampla e representativa. Um caminho sem volta?

“Temos estudos que corroboram que uma presença maior feminina contribui para um melhor resultado financeiro para as empresas. Se dá tanto resultado financeiro, por que não há mais mulheres? Achei que o mundo das Fintechs era diferente, mas vi que na realidade ele não era disruptivo e reproduz, muitas vezes, o mesmo modelo tradicional. Temos que fomentar o debate, como mulheres são multitarefas (assumem papel de mulher, mãe, companheira, esposa, filha) todas nós desenvolvemos uma série de habilidades. A gente acaba fazendo uma gestão financeira em nossa casa, uma gestão de crise”, analisa Adriana.

Desafios históricos

Em setores de novas tecnologias, as mulheres desempenham um papel fundamental ao enfrentar desafios históricos de desigualdade de gênero. Porém, essas novas líderes conseguem realmente incluir uma agenda maior de inclusão? Há possibilidade de aliar traços predominantemente femininos ao ambiente de trabalho?

“Há traços que são tradicionalmente mais femininos, como colaboração, criatividade e sensibilidade. São mais relacionados ao universo feminino e que são muito valorizados nas empresas. O cliente é humano, nossas equipes também, fazer negócio é saber lidar com pessoas. Os traços femininos corroboram”, define Pethra.

Apesar dos avanços, ainda existem inúmeros obstáculos a serem superados para garantir uma representatividade mais equitativa das mulheres nos setores de Fintechs – e também no nicho de meios de pagamento e outros. As políticas de igualdade de gênero, equiparação salarial, programas de mentoria e sensibilização contínua são essenciais para enfrentar os problemas.

Ambientes mais criativos e humanos

Como discutido neste painel UltraTalks, além de trazer um lado mais humano às empresas, as lideranças femininas oferecem perspectivas únicas, com a formatação de ambientes mais criativos e inovadores. Porém, na prática, a desigualdade salarial continua sendo uma tônica difícil de resolver.

“A gente também precisa empoderar mulheres para lutarem por seus direitos. Temos que ter mulheres que saibam o que fazer, que tenham coragem. Tem que haver uma mudança individual, comportamental, de coragem e autoconfiança. Isso junto com políticas públicas, processos e regras privadas. Estamos no caminho certo para fazer toda essa mudança pela frente”, avalia Pethra.

“A questão da projeção, do salário, do bônus, todos são temas bem delicados. A gente percebe que as mulheres nem sempre estão preparadas para essas conversas. Outro ponto é a questão de políticas públicas. Não pode ter diferenças. Neste momento, precisamos de uma interferência. Um movimento para mulheres, mas com homens aliados, que sejam os padrinhos dessas mulheres, que ajudem nesse caminho. Vai diminuir um pouco esse gap remuneratório”, acrescenta Adriana.

Finalizando o tema, algumas perguntas se fazem necessárias: como lidar com tamanha desigualdade e manter espaço aberto a novas mulheres no mercado de trabalho?

“A prioridade deve ser uma melhor decisão para a empresa, o melhor para a companhia. Independente se está relacionado ou não com uma minoria. Para as mulheres, o ideal é que acreditem no seu potencial, valorizem seu trabalho, lutem pelo que vocês querem. O que podemos controlar é nossa atitude com relação a tudo isso. Tomem as rédeas de suas carreiras”, aconselha Pethra.

Tags

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também

Aspectos regulatórios do mercado de Subadquirentes

Aspectos regulatórios do mercado de Subadquirentes

Ultratalks #006, Aspectos regulatórios do mercado de SUBadquirentes, com Giancarllo Melito Participe da nossa série mensal e gratuita de eventos online, o Ultratalks! Apresentaremos temas diversos relacionados ao mercado de Meios de Pagamento. No evento do...