Você já parou para pensar em como era o mundo antes de podermos pagar tudo com cartão? A adquirência, peça fundamental no funcionamento dos pagamentos eletrônicos, tem uma trajetória fascinante no Brasil. Marcada por um longo período de duopólio e por uma transformação acelerada nos últimos anos, essa história merece ser contada. Por isso, quero apresentar um panorama dessa evolução até os dias de hoje.
O início dos cartões no Brasil
O uso do cartão de crédito no Brasil começou em 1956, com a chegada do Diners Club. No entanto, o uso mais difundido e estruturado só se consolidou na década de 1970, com o surgimento dos primeiros cartões emitidos por bancos brasileiros.
O nascimento do duopólio: a década de 1990 e a divisão Credicard x Visanet
Foi nos anos 1990 que a adquirência começou a ganhar forma e força no país, nascendo sob a estrutura de um duopólio:
● Credicard (ligada à Mastercard): Fundada nos anos 70, a Credicard já tinha um
histórico consolidado no mercado de cartões. No campo da adquirência, ela se
tornou a principal operadora de transações da bandeira Mastercard.
● Visanet (ligada à Visa): Criada em 1995, a Visanet, hoje conhecida como Cielo, surgiu para processar as transações da bandeira Visa. A empresa foi fundada por um consórcio de grandes bancos da época, como Banco do Brasil, Bradesco e Itaú.
Naquela época, o cenário era bem diferente do atual. Os estabelecimentos precisavam ter duas maquininhas e dois contratos: uma para aceitar cartões Mastercard (Credicard) e outra para cartões Visa (Visanet). Essa fase ficou conhecida como a “guerra das maquininhas”, e o acesso ao mercado era restrito. Isso significava:
● Altos custos para os lojistas, que precisavam manter duas soluções distintas;
● Pouca concorrência, o que limitava a inovação e o poder de negociação;
● Burocracia, com mais contratos e sistemas diferentes para gerenciar
A quebra do duopólio e a virada do jogo
A partir dos anos 2000, o cenário começou a mudar gradualmente. Mas foi em 2010 que aconteceu a verdadeira virada: o fim da exclusividade entre adquirentes e bandeiras de cartão.
Essa mudança foi um marco. O mercado se abriu para que novas empresas pudessem entrar e competir de igual para igual. Com isso, surgiu um novo cenário:
● Aumento da concorrência: Novos players chegaram, como a Redecard (que era a
vertente de adquirência da Credicard, e mais tarde passou a se chamar Rede), além
de Getnet, Stone, PagSeguro, SumUp, entre outras.
● Redução de custos: Com mais concorrência, as taxas de transação começaram a
cair.
● Inovação acelerada: A competição impulsionou o desenvolvimento de novas
soluções, como maquininhas mais modernas, pagamentos por QR Code, links de
pagamento, entre outros.
● Democratização: Aceitar cartão deixou de ser privilégio de grandes empresas e se
tornou acessível também para pequenos empreendedores e profissionais
autônomos.
Onde estamos: um oceano de oportunidades e números que impressionam
Hoje, o mercado de adquirência no Brasil é um dos mais desenvolvidos e competitivos do mundo. Há uma enorme variedade de soluções, que vão desde as grandes adquirentes tradicionais até fintechs inovadoras que seguem transformando o setor.
Segundo dados da ABECs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços):
● Em 2024, o mercado de cartões no Brasil ultrapassou a marca de R$ 4 trilhões em transações, um volume expressivo que demonstra a preferência e confiança dos brasileiros nesse meio de pagamento.
● Os pagamentos por aproximação já são a principal modalidade nas transações presenciais com cartão. Em 2024, movimentaram cerca de R$ 1,5 trilhão, com crescimento de quase 50% em relação ao ano anterior.
● A projeção para 2025 é ultrapassar R$ 4,5 trilhões em transação.
Além do crescimento impressionante, novas tecnologias vêm ganhando espaço, como o Tap to Phone, que transforma um celular em uma maquininha de pagamento. O setor também passa por mudanças regulatórias constantes, e a concorrência tende a torná-lo ainda mais eficiente, acessível e inovador.
É um privilégio acompanhar e fazer parte da evolução da adquirência no Brasil. Seja como usuária de cartão ou como profissional desse setor em constante transformação, é inspirador ver como a inovação continua moldando o futuro dos pagamentos.
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